Navio Siroco tão desejado por Portugal vai afinal para o Brasil

Com um olhar robusto, o Siroco impõe respeito
Dificuldade económica trai as necessidades da Marinha de Portugal. O NVPOL (sigla usada pelos portugueses) Siroco é agora o NDM (sigla usada pelos brasileiros) Bahia do Brasil.
O Navio Multi logístico francês "Siroco" desejado pela Marinha Portuguesa vai afinal para o Brasil onde lhe será dado o nome de NDM (Navio Doca Multi propósito) Bahia.
 
A embarcação, uma das melhores do seu tipo no mundo apesar da sua já vintena de anos, irá reforçar a esquadra brasileira até ao final deste ano. A armada deste país luta por um meio mais eficiente para este tipo de funções agora que o seu único navio semelhante, mas muito inferior, NDD Ceará, ficou indisponível após uma avaria grave enquanto navegava para o Haiti. Esta embarcação tem mais de 50 anos.
 
O NDD Ceará do Brasil tem agora meio século, velhinho, chega a ser idêntico a navios da Segunda Guerra
 
Portugal foi um dos países a mostrar forte interesse no Siroco, mas devido ao orçamento militar apertado, não conseguiu arranjar nem verbas nem espaço para acolher o navio. O país perdeu assim uma oportunidade de adquirir uma capacidade de projecção actualmente inexistente e desejada pelo menos desde os anos 90.
 
Notar o quão vasto é o navio Siroco, consegue operar três aronaves de asa rotativa simultaneamente e acomodar quatro de médio porte no hangar, no entanto...
 
A França não tinha inicialmente planeado a desactivação desta embarcação quando desenhou a classe Mistral (talvez o navio comando mais eficiente do mundo) mas como em todo o lado, a crise apertou e acabou por alienar tanto este invejável navio como o seu irmão mais velho(vendido ao Chile), desactivando assim toda a classe.
 
Conclui-se portanto que com ainda metade da vida pela frente (podendo até ser estendida por mais), capacidades polivalentes, de comando e de projecção de poder bastante admiráveis, algo como o Siroco dificilmente surgirá nos tempos por vir. O PDN (Portugal Defense News) está aliás a preparar uma análise, a ser publicada em breve, para dar a conhecer aos nossos leitores possíveis alternativas.
 
Siroco - foto 5 Marine NationaleSiroco com a Doca aberta
 
Não se sabe qual o preço exacto da compra do navio, visto que não foi ainda revelada informação exacta sobre o conteúdo do "pacote" oferecido pelos franceses, mas não deverá sair por menos de 80 milhões de euros.
 
Sabe-se no entanto, que a oferta que Portugal teve acesso iria incluir duas lanchas de desembarque pequenas e uma grande, mas o preço iria eventualmente subir com modernizações a serem realizadas na plataforma como um todo e quase de certeza com sensores exclusivos a serem adquiridos à parte pelo governo português. 
 
Na zona dos hangares notar a presença dos helicópteros tipo "Puma" franceses, mais pequenos e leves que os Merlin com que Portugal deveria operar
 
Algo também notável é que segundo as autoridades portuguesas que analisaram o navio, o custo diário de operação do Siroco é de 22 mil euros, a navegar, menos que as muito mais pequenas fragatas da classe Vasco da Gama, a justificação encontra-se nos mais modernos motores da classe Siroco que consomem menos.
 
O desejo português para um NVPOL (Navio Polivalente Logístico) vai tão além da Marinha e a sua necessidade é tão notada, que quando a Força Aérea recebeu os seus EH101 Merlin em 2006 alguns deles vieram com a capacidade de operar a bordo de navios deste tipo.
 
As capacidades de projecção do Siroco são admiráveis
 
É triste saber que caso uma calamidade volte a atingir alguma parte do território nacional, mais concretamente os arquipélagos, a única reacção possível da Marinha seja enviar uma fragata ou algum outro meio inadequado para aliviar o problema. Alguns anos atrás, aquando das enchentes na Madeira, a Marinha foi forçada a mandar um fragata da classe Bartolomeu Dias com o seu único hangar cheio com material e mantimentos, automaticamente, com esta opção, a capacidade de heli-transporte e socorro do navio foi negada, visto não haver nenhum sítio onde guardar o aparelho. Esta capacidade é uma das mais importantes num evento destes.
 
Caso na altura tivesse sido enviada uma fragata da classe Vasco da Gama, mais pequena, menos moderna, mas com dois hangares disponíveis e não um (permitiria usar parte de um para missão de polivalente e o outro para embarcar a aeronave), este problema teria sido até que parcialmente resolvido, mas pela surpresa da situação, a embarcação com maior disponibilidade não era nenhuma das três fragatas desta classe de fabrico alemão.
 
Fragata da classe Bartolomeu Dias da Marinha Portuguesa
 
Facto é que se realmente Portugal decidir ter acesso a esta capacidade terá agora que optar por algo novo e portanto mais caro, aliás, extraordinariamente mais caro, mais barato só se for algo de capacidades mais humildes e talvez a olhar para o mercado asiático, onde existem alguns tipos de logísticos mais pequenos mas também mais baratos e fáceis de manter.
 
Apesar de tudo, uma das razões oficiais para o Siroco ter sido negado em Portugal foi a incapacidade do navio de operar em segurança os Merlin da Força Aérea, habilitados para operações navais. Segundo os relatórios, aponta-se o facto de que a plataforma de aterragem não tem capacidade para aguentar o Merlin no seu peso máximo e o hangar será pequeno para a realização da devida manutenção nas aeronaves, no mesmo afirma-se que mesmo que os EH-101 Merlin limitassem o seu peso por exemplo, pela redução de combustível, poderiam na mesma causar danos graves em importantes partes da estrutura caso tivessem de realizar uma aterragem de emergência ou forçada. Tudo isto faria com que ou a Marinha fosse obrigada a comprar helicópteros próprios e mais leves ou simplesmente arriscava-se a operar os Merlin da Força Aérea com limitações, poderia em contrapartida dar uso aos seus Lyinx ligeiros mas apenas conta com cinco para serem usados em 5 fragatas e iria acabar por perder por um lado ou pelo outro.
 
EH101 Merlin da Força Aérea Portuguesa, demasiado grande e robusto o aparelho não deveria poder operar em segurança no Siroco, por um lado tem o seu excesso de peso, que o impede de operar nas plataformas exteriores, por outro tem a sua altura, segundo os relatórios a estrutura superior do hangar é demasiado baixa para que a equipa de manutenção pudesse erguer a aeronave, dentro do hangar, e trabalhasse no helicóptero, de modo a realizar inspecções e reparos necessários à sua operação.
 
Outra solução seria realizar modificações no navio de modo a que o mesmo se torna-se apto às necessidades portuguesas, mas tal foi considerado inviável. O helicóptero mais pesado que o Siroco está preparado para aguentar é o Super Frelon ou o Super Puma e estes chegam a ser 50% mais leves que o EH101. Supostamente, se formos por dimensões, o Siroco é sim capaz de carregar até dois Merlin que em cumprimento e largura são semelhantes ao Super Frelon e Super Puma, mas as aeronaves francesas são mais baixas enquanto o Merlin é mais alto, tão alto, que dentro do Hangar a equipa de manutenção não os poderia erguer em segurança para realizar o seu trabalho.
 
 
Siroco - hospital
 
Os navios, em estado de emergência, podem transportar até 1600 militares para operações de desembarque e projecção de poder ,podem ainda, conforme a configuração, carregar com 10 viaturas blindadas ligeiras e 50 tácticas, mas caso a doca não esteja ocupada com meios de desembarque o número sobe para mais de 200. Também consegue operar como navio hospital, ideal para missões de carácter humanitário.
 
Características:
  • Comprimento – 168 metros ( “Vasco da Gama” têm 115m e o “Bérrio”, o navio tanque/abastecedor da Marinha, 140,6m)
  • Largura – 23,50m
  • Deslocamento com carga máxima: 12.000 toneladas
  • Velocidade máxima: 20 nós
  • Autonomia: 11.000 milhas náuticas (a 15nós de velocidade)
  • Dois pontos de aterragem de helicópteros e uma área de aterragem secundária, a secundária é móvel/deslocável e alternativa conforme as prioridades do navio.
  • A característica principal deste navio é possuir uma “doca interior” que pode ser inundada e assim permitir a entrada/saída de embarcações. As dimensões da doca são: 122m de comprimento, 14m de largura e 7,70m de altura.
  • Capacidade de transporte:
  • 8 Lanchas de desembarque médias (ou outras combinações);
  • 150 Veículos;
  • 2 a 4 helicópteros (curiosamente os franceses têm operado com AL III neste navio);
  • 1.880 toneladas de carga geral;
  • 415 passageiros para viagens longas e até 2.000 para deslocações de 48 a 72 horas.
 
 
Fonte:MeretMarine.com/ Quest-France/ Expresso/ Operacional/ arquivos do PDN/ análises independentes
 
Texto: Portugal Defense News (PDN)...and global
 
Imagens: Internet
 
ultima actualização às 00h13 do dia 22 de Setembro de 2015

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