Ministro da Defesa: "não é mais concebível ficar sempre à espera dos nossos amigos americanos”

Ministro da Defesa diz que "Forças Armadas conseguem fazer muito com um orçamento operacional que é muito baixo". 

Numa conferência organizada por alunos da Universidade Católica do Porto na passada quinta-feira (21-04), o Ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, afirmou que as Forças Armadas fazem muito com pouco e que "Portugal se capacita não pelo número de batalhões ou frotas, mas por ter uma representação da sua defesa e da sua política externa francamente acima daquela que é a dimensão real do país e do que seria expectável”. 
 
Membros do DAE (Destacamento de Ações Especiais) da Marinha Portuguesa no exercício "Trident Juncture".
 
O ministro afirmou também um facto tido como previsível na eventualidade de um conflito dizendo que "“por razões evidentes, a segurança e a defesa de um país como Portugal não é hoje pensável apenas pelos nossos meios”. 
 
Azeredo Lopes referia-se à cooperação portuguesa com os seus aliados da União Europeia e OTAN (Organização do Tratado Atlântico Norte - NATO), já que a defesa destes membros é feita de forma conjunta, tanto que os orçamentos militares de cada país priorizam normalmente as necessidades da aliança e da união, não sendo exactamente a defesa singular tida como um objectivo. 
 
635811332164511859-DFN-Trident-JunctureAmericanos desembarcam nas praias portuguesas de Lisboa, no âmbito do Exercício "Trident Juncture", um dos maiores exercícios da OTAN nos últimos anos.   
 
Isto nota-se ao analisar a distribuição de forças por toda a União Europeia, onde se vê, por exemplo, britânicos a operar num porta-aviões francês, ou portugueses a desembarcar fuzileiros a partir de um Navio Logístico espanhol.
 
Aliás, tal como o ministro afirmou, probavelmente nenhum país iria conseguir garantir, em toda e qualquer ocasião, a sua defesa permanente, -"à parte dos EUA, talvez da China e eventualmente da Rússia"-.
 
Fuzileiros portugueses e britânicos no exercício "Trident Juncture". 
 
O Ministro da Defesa Nacional salientou que “é interessante verificar que, apesar de uma diminuição nos últimos anos, que está finalmente estancada, a soma agregada dos orçamentos de defesa europeus é quatro vezes o orçamento de defesa da Rússia, que ele mesmo já subiu exponencialmente nos últimos anos”.
 
“Portanto, não é, por vezes, uma questão de dinheiro, é uma questão de abordagem estratégica integrada (aliados), ou seja, saber o que queremos e como é que vamos definir os nossos comportamentos perante actores exteriores, sabendo, como se sabe, que hoje em dia não é mais concebível ficar sempre à espera dos nossos amigos americanos”, acrescentou. 
 
 

Fonte: Lusa// arquivos independentes 

Texto: Portugal Defense News...and global 

Imagens: EMGFA// vários 

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